domingo, 25 de maio de 2008

Um gel contra a AIDS


E, por enquanto, só para mulheres. A novidade está sendo desenvolvida por cientistas brasileiros e promete barrar o HIV in loco, na hora agá, sob a forma de um lubrificante comum
por Anderson Moço | infográfico Luiz Iria e Eder Redder

Testes, testes e mais testes — o gel antiaids ainda vai passar por muitos deles antes de chegar ao mercado. Um caminho que vai levar, segundo estimativa dos pesquisadores, no mínimo cinco anos. E olha que os estudos com a substância já ultrapassam uma década. Eles começaram em 1996, quando a bióloga Valéria Teixeira, da Universidade Federal Fluminense, no Rio de Janeiro, identificou e isolou o composto químico dollabelano diterpeno em uma alga marinha chamada Dictyota pfaffii. Ela foi coletada no Atol das Rocas, paraíso ecológico em alto-mar que pertence ao estado do Rio Grande do Norte.

As investigações iniciais mostraram que essa substância agia como um poderoso microbicida contra o HIV. E ganharam impulso após a adesão ao projeto do Instituto Oswaldo Cruz e da Fundação Ataulpho de Paiva, no Rio de Janeiro. Foi quando surgiu a idéia de acrescentar o composto a um gel lubrificante — e com uma finalidade precisa, que seria a proteção do organismo feminino.

Os primeiros experimentos em laboratório provaram a eficácia da droga contra a contaminação e empolgaram os pesquisadores. Eles, então, mergulharam mais fundo nos trabalhos e, muito além das cobaias, passaram a esquadrinhar a ação do gel em células do útero humano. Os resultados foram pra lá de animadores. “Observamos que o dollabelano diterpeno consegue sobreviver por várias horas na flora vaginal sem sofrer grandes alterações e sem perder sua eficácia”, explica Luiz Roberto Castello Branco, coordenador do Centro de Desenvolvimento e Testagem de Microbicidas do IOC/Fiocruz. “Para o sexo anal não sabemos se o efeito será o mesmo. Na mucosa dessa área há bactérias que podem interferir na ação do gel”, completa. De qualquer forma, os estudos clínicos só vão começar após a comprovação da segurança do produto.

No Brasil, apenas em 2006 mais de 32 mil novos casos de contaminação pela aids foram registrados no Ministério da Saúde. E foi no sexo feminino que as taxas da doença mais cresceram nos últimos anos (veja o gráfico abaixo). “Os microbicidas estão sendo vistos como uma nova fronteira na prevenção da doença em mulheres, que muitas vezes deixam de usar camisinha por uma questão cultural e se expõem a um risco enorme de contágio”, conta Mariangela Simão, diretora do Programa Nacional DST/Aids do Ministério da Saúde. Ela faz uma ressalva importante: “A chegada desse gel ao mercado não vai dispensar o preservativo. Ambos deverão ser usados para barrar o vírus”.

O MAPA DA MINA
A substância ativa do gel antiaids foi encontrada na alga Dictyota pfaffii, é originária do Atol das Rocas, pequeno conjunto de ilhas que fica no litoral do Rio Grande do Norte
UM BAITA CRESCIMENTO
O número de mulheres infectadas pelo vírus HIV subiu de maneira impressionante

PROTEÇÃO REDOBRADA
Veja como o HIV usa as células para se reproduzir e entenda como a nova substância age

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Testes, testes e mais testes — o gel antiaids ainda vai passar por muitos deles antes de chegar ao mercado. Um caminho que vai levar, segundo estimativa dos pesquisadores, no mínimo cinco anos. E olha que os estudos com a substância já ultrapassam uma década. Eles começaram em 1996, quando a bióloga Valéria Teixeira, da Universidade Federal Fluminense, no Rio de Janeiro, identificou e isolou o composto químico dollabelano diterpeno em uma alga marinha chamada Dictyota pfaffii. Ela foi coletada no Atol das Rocas, paraíso ecológico em alto-mar que pertence ao estado do Rio Grande do Norte.

As investigações iniciais mostraram que essa substância agia como um poderoso microbicida contra o HIV. E ganharam impulso após a adesão ao projeto do Instituto Oswaldo Cruz e da Fundação Ataulpho de Paiva, no Rio de Janeiro. Foi quando surgiu a idéia de acrescentar o composto a um gel lubrificante — e com uma finalidade precisa, que seria a proteção do organismo feminino.

Os primeiros experimentos em laboratório provaram a eficácia da droga contra a contaminação e empolgaram os pesquisadores. Eles, então, mergulharam mais fundo nos trabalhos e, muito além das cobaias, passaram a esquadrinhar a ação do gel em células do útero humano. Os resultados foram pra lá de animadores. “Observamos que o dollabelano diterpeno consegue sobreviver por várias horas na flora vaginal sem sofrer grandes alterações e sem perder sua eficácia”, explica Luiz Roberto Castello Branco, coordenador do Centro de Desenvolvimento e Testagem de Microbicidas do IOC/Fiocruz. “Para o sexo anal não sabemos se o efeito será o mesmo. Na mucosa dessa área há bactérias que podem interferir na ação do gel”, completa. De qualquer forma, os estudos clínicos só vão começar após a comprovação da segurança do produto.

No Brasil, apenas em 2006 mais de 32 mil novos casos de contaminação pela aids foram registrados no Ministério da Saúde. E foi no sexo feminino que as taxas da doença mais cresceram nos últimos anos (veja o gráfico abaixo). “Os microbicidas estão sendo vistos como uma nova fronteira na prevenção da doença em mulheres, que muitas vezes deixam de usar camisinha por uma questão cultural e se expõem a um risco enorme de contágio”, conta Mariangela Simão, diretora do Programa Nacional DST/Aids do Ministério da Saúde. Ela faz uma ressalva importante: “A chegada desse gel ao mercado não vai dispensar o preservativo. Ambos deverão ser usados para barrar o vírus”.

O MAPA DA MINA
A substância ativa do gel antiaids foi encontrada na alga Dictyota pfaffii, é originária do Atol das Rocas, pequeno conjunto de ilhas que fica no litoral do Rio Grande do Norte.

UM BAITA CRESCIMENTO
O número de mulheres infectadas pelo vírus HIV subiu de maneira impressionante

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