segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Estética do pênis, www.mixbrasil.com.br

Médico explica avanços da ciência na área

por Ferdinando Martins


Com mais de vinte anos de experiência, o cirurgião vascular Márcio Dantas de Menezes é conselheiro consultivo da Sociedade Brasileira de Medicina Estética e membro da Sociedade Brasileira de Medicina Sexual. Ele foi um dos primeiros especialistas do mundo a usar a técnica do polimetilmetacrilato (PMMA) para o aumento peniano.

Uma de suas principais preocupações é o tratamento das imperfeições anatômicas do pênis que estão relacionadas estética e emocionalmente com a vida sexual do homem. Segundo ele, 97% dos pacientes que atende na Clínica Plenus, da qual é diretor técnico, possuem o pênis dentro dos padrões de normalidade, embora o considerem esteticamente inadequados.

Cerca de 3% dos seus pacientes possuem micropênis ou problemas que envolvem questões antropométricas como a presença de curvaturas, falta de proporção entre a glande e o pênis ou entre o pênis e a bolsa escrotal. E a insatisfação atinge todas as classes sociais, como revelou a Campanha Nacional de Aumento Peniano, liderada pelo Dr. Márcio. Nesta entrevista exclusiva para o Mix Brasil, o cirurgião esclarece as dúvidas mais comuns.


Como estão hoje os tratamentos para aumento do pênis?
Acabo de chegar do 30º Congresso Brasileiro de Urologia, em Brasília, e lá apresentei três posteres sobre a estética genital masculina. É uma área com muitas novidades. Os procedimentos empregados no Brasil para o aumento do pênis são considerados pelo Conselho Federal de Medicina como experimentais. Isso significa que precisam de condições especiais para ser feitos. No entanto, há muitos avanços e em breve teremos um protocolo para tratar de maneira mais tranqüila. Mas é bom lembrar que a estética genital masculina não envolve apenas o tamanho do pênis.

O que é considerado um pênis pequeno?
Um micropênis tem menos de nove centímetros em ereção. A medição e feita na parte de cima do pênis, aquela que se vê quando se olha para baixo, da base até a saída do canal da uretra. Mas há também casos de pacientes com dismorfofalofobia, que é quando não consegue entender que seu membro é normal.

Quais são as técnicas utilizadas para engrossar a espessura do pênis?
Podem ser usadas substâncias biocompatíveis. O PMMA é usado desde 1945 em diversos tipos de moldagem no organismo. Mas hoje também é possível usar outras substâncias, como o colágeno humano, que dá um excelente resultado, e a própria gordura, em lipoesculturas. É importante dizer que essas substâncias devem ser aplicadas por um médico especializado. Há casos de pessoas que tiveram uma série de complicações porque autoinjetaram as substâncias.

No uso do PMMA, é preciso massagear o pênis?
Sim, especialmente quem não consegue usar aparelhos de tração. Isso garante uma deposição do PMMA de forma homogênea.

O que pode ser feito para aumentar o comprimento?
O procedimento é cirúrgico, mas temos de saber para quem indicar. Obesos, por exemplo, podem não obter o resultado esperado. A cirurgia secciona o ligamento do pênis e libera uma parte que estava oculta. Depois disso, o pênis é tracionado para fora. Por 180 dias é preciso usar aparelhos de tração, de 6 a 8 horas.

Há doenças que provocam a redução do pênis?
Sim. A síndrome de Peyronie. É uma doença que provoca nódulos e pode reduzir o tamanho. Também há fraturas, quando o pênis escapa em uma relação sexual e bate contra o corpo de outra pessoa. O que ocorre é o rompimento da parede do corpo cavernoso, que pode reduzir o tamanho. Outras causas são: câncer de pênis, priapismo (provocado por anemia ou uso de medicamentos), cirurgias de extração da próstata, diabetes e hipertensão. Nesses dois últimos casos, o que se observa, também, é que a capacidade erétil está comprometida, não é apenas o tamanho do pênis o problema. O implante de prótese flexível também reduz o calibre do pênis.

O que provoca a síndrome de Peyronie?
Não se sabe. Há hipóteses de que podem ser fatores genéticos ou o estresse. O principal sintoma, além dos nódulos, é dor na ereção. O tratamento, nos estágios iniciai, é clínico, com uso de analgésicos e vitamina E. Casos mais avançados, quando a dor chega a impedir a penetração, precisam ser tratados cirurgicamente.

É possível fazer depilação a laser na região peniana?
Não só é possível como também é recomendável. O excesso de pêlos não é higiênico e pode acumular suor. Em alguns casos, especialmente em regiões mais quentes do Brasil, observa-se a ocorrência de fungos e micoses.

É possível clarear o pênis?
Sim, demartologistas podem indicar tratamentos para isso. Mas é preferível evitar situações que escurecem o pênis. O uso de bombas de vácuo, por exemplo, provocar escurecimento, além de puxar a pele da região pubiana para baixo. Tomar banho de sol nu, sem protetor solar, também.

Quais outros casos é possível melhorar a estética peniana?
Cirurgicamente, podemos retirar cicatrizes de cirurgias, de operações de fimose e quelóides.

E o caso de pênis torto?
Também. Tanto para os congênitos quanto para aqueles decorrentes de fraturas ou da síndrome de Peyronie.

O que o motivou fazer a Campanha Nacional de Aumento Peniano?
Queríamos mudar a crença que apenas as classes média e alta estavam interessadas em aumento peniano. Por meio do site Universo Sexual, convocamos pessoas da classe C e D, com renda mensal máxima de mil reais e a repercussão foi muito grande. Tivemos 6.133 pacientes inscritos. Só 12% tinham, de fato, pênis que precisavam ser tratados. Os outros 88% tinham pênis normais, A faixa etária média foi 32,4 anos. Isso mostra que a preocupação com a estética do pênis está em todas as classes sociais.

Existe uma idade mínima ou máxima para o tratamento estético do pênis?
Não. Na infância, caso sejam diagnosticados problemas, é recomendável que os pais levem o filho para um endocrinopediatra, para verificar se não há alterações na suprarenal ou nos testículos.

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